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O ator falou com a NiT sobre “Santuário das Sombras”, que estreou na passada quinta-feira, onde trabalhou com Jeffrey Dean Morgan.

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Ricardo Farinha

Éo novo projeto internacional de Diogo Morgado. O ator português faz parte do elenco de “Santuário das Sombras” (cujo título em inglês é “The Unholy”), filme de terror realizado por Evan Spiliotopoulos (argumentista de “O Caçador e a Rainha do Gelo” e do remake de “A Bela e o Monstro”) e produzido por Sam Raimi (de “Evil Dead” ou “Homem-Aranha”). Estreia nos cinemas portugueses esta quinta-feira, 6 de maio.

A produção, baseada no livro “Shrine”, de James Herbert, conta a história de uma rapariga surda-muda que é visitada pela Virgem Maria. De repente, consegue ouvir, falar e curar os doentes. As pessoas aproximam-se para assistir ao milagre, mas coisas terríveis começam a acontecer. Será que era mesmo um feito da Virgem Maria?

O elenco inclui ainda nomes como Jeffrey Dean MorganCary ElwesWilliam SadlerCricket BrownKatie AseltonChristine AdamsMarina Mazepa e Dustin Tucker, entre outros. Diogo Morgado interpreta Monsignor Delgarde, um investigador especializado da Igreja Católica.

A NiT falou com o ator de 40 anos sobre este projeto, mas também acerca de “Irregular”, filme dirigido pelo próprio com estreia prevista para 30 de setembro. É por volta da mesma altura que, conta-nos, que vão ser noticiados novos projetos, tanto portugueses como internacionais.

Como é que conseguiu o papel para este filme?
Os projetos são conseguidos de formas diferentes. Numas vezes, o realizador viu o teu trabalho em algum lado e isso formalizou-se num convite direto. Outras vezes, é um teste de imagem, que acaba por não ser bem um casting. É mais uma confirmação sobre se é o género do que se procura. Neste caso foi isso, foi um teste de imagem, eles pediram-me para dizer umas quantas frases vestido de uma certa maneira. E depois formalizou-se uma conversa com o realizador — eu e mais alguém em que ele estivesse de olho — e depois na fase seguinte houve um convite. 

O que é que o atraiu mais neste projeto, quando percebeu qual era a história e a personagem?O género. Porque o terror, ou os thrillers — suspense ou o que queiram chamar — não é um género que se faça muito em Portugal. Eu em 25 anos disto nunca tinha feito um filme de terror. Por isso fiquei entusiasmado, porque é terreno novo. Parecia um miúdo numa loja de doces a experimentar um doce novo [risos]. E, obviamente, o lado de produtor e de ter começado a realizar fica muito aguçado porque queres perceber como é que a coisa se executa, como é que se chega àquele suspense, como é que isso se traduz no plateau, no set, se a mística se sente, se é muito efeito especial ou visual e se temos de imaginar tudo, ou não… A minha curiosidade estava ao rubro.

E como é que foi? Sente-se a mística de terror durante as gravações?
Olha, acabei por perceber que os efeitos visuais só limpam e aumentam aquilo que já acontece no set. O set fica tenso, há de facto um silêncio e o suspense existe. Aquela mística é reproduzida e de facto a entidade estava lá, e eu via-a, e aquilo assustava e era horrível. Depois, quando vai para os efeitos especiais, tudo aquilo é aumentado. Mas não é o caso de não haver lá nada e ter de se reagir a alguma coisa que não existe. Não sei se todos os filmes são feitos assim, mas esta experiência foi surpreendente pela positiva, nesse campo. Realmente é dada muita coisa aos atores com que trabalhar.

Em relação à sua personagem em concreto, ele é um investigador da igreja…Basicamente é um técnico do Vaticano que é especialista em desacreditar as alegadas burlas. Eu não fazia ideia, mas há muita gente — inclusivamente pequenos grupos organizados — que mete desde colunas wireless nas árvores até recursos de luzes para irem a pequenas aldeias e vilas em que muitas vezes as pessoas são menos instruídas e burlam as pessoas com alegados milagres, elixires não sei do quê… E eu não sabia, mas no Vaticano há pessoas que são enviadas para tirar a coisa a limpo. E a minha personagem é essa, o Monsignor Delgarde, que é chamado a esta pequena vila onde aparentemente uma jovem está a conseguir fazer milagres, e vem para desacreditar a coisa. E surpreende-se quando percebe que há ali material: percebe é que não é benigno.

Foi preciso fazer alguma preparação específica para o papel, tendo em conta o tema?Na verdade não. Tive foi de pesquisar, e foi-me dado acesso a informação sobre casos específicos, de o investigador A ter descoberto que isto era feito desta maneira e que por isso enganavam as pessoas e elas davam dinheiro para isto e para aquilo. E percebi que tem muito a ver com investigação. Geralmente estas pessoas até nem são as mais devotas. São católicas praticantes, mas como têm um trabalho a fazer e estão tão habituados no dia a dia a desacreditar coisas, eles próprios acabam por ser o lado mais cético dentro da Igreja.

Não sei se o Diogo é religioso. Isso influenciou alguma coisa ao fazer este papel?Não sabes nem vais saber. A minha espiritualidade e a minha fé não têm rigorosamente nada a ver com o meu trabalho. Não influencia em nada. Eu posso fazer o Buda amanhã, se tiver que o fazer. Vou compreender a história, o que é que ele representa, o que está escrito e o que existe, e contar a melhor história possível. Eu acho que a fé é daquele tipo de coisa que é o gasóleo que motiva as pessoas a acordar de manhã. Seja a fé no cosmos, em pedras, na Nossa Senhora de Fátima, seja no que for. É uma coisa tão específica e tão pessoal que é como se de repente estivesse a pôr o meu número de contribuinte online. É a minha visão e não a tinha desta forma, mas foi devido aos trabalhos que vim a fazer que percebi que muitas das vezes é mal gerida a forma como as pessoas… Porque a partir do momento em que te situas num sítio, em vez de estares a congregar, estás a dividir. Se eu estiver a falar contigo e disser que sou testemunha de Jeová ou católico, e tu não fores, tu à partida estás-me a pôr num sítio diferente do teu, mesmo que não queiras. E se calhar aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa.

E como foi trabalhar com o Jeffrey Dean Morgan?Foi muito fixe, ele é um tipo muito cool. Muita da coolness que ele emprega às suas personagens é dele. É muito carismático. E foi muito extraordinário, um colega muito generoso que dava feedback. Fazíamos um take e ele dizia “damn, that was good”, e isso é porreiro. Porque os americanos, culturalmente, não gostam muito de se expressar, gostam de estar cada um na sua e tal. E ele quebrava o protocolo nesse aspeto e fomentava isso nos outros. O William Sadler também é um ator do cacete que fez um dos meus filmes favoritos, “Os Condenados de Shawshank”. Foi do cacete conhecê-lo. O próprio Cary Elwes, que fez o “The Princess Bride”… Malta muito fixe e foi uma sorte ter acontecido porque, quando a pandemia se deu, gente menos porreira podia ter comprometido o filme. E isso não aconteceu.

Qual é que foi o maior desafio em fazer este projeto?
Houve coisas fora da norma que posso destacar, como conhecer o Sam Raimi, por exemplo… Perceber que alguém que tem um nome tão marcado no cinema no final de contas é só um gajo que está a tentar fazer o melhor que pode. Mas houve um desafio. A duas semanas do fim, o filme foi suspenso por causa da Covid-19. Isso foi um desafio tramado [risos], porque tivemos que acabar o filme em circunstâncias diferentes. Houve uma suspensão durante cinco ou seis meses, depois as cenas foram reescritas e readaptadas, e houve uma equipa que teve de ir aonde todos os atores estavam — Los Angeles, Nova Iorque, Massachusetts, Portugal, Escócia — e filmar-nos de forma separada. Foi estranho, mas foi o possível para terminar o filme da melhor maneira.

Jeffrey Dean Morgan é o protagonista.

Como estava a dizer, participar num filme de terror era de alguma forma um desejo antigo, já que nunca tinha feito um. Agora que fez, tem vontade de voltar ao género? Ou foi só uma experiência?
Deu-me vontade de voltar ao género em Portugal. Eu e o meu irmão [Pedro Morgado], aliás, já tínhamos vontade de explorar isso, mas confesso que isto veio reforçar essa vontade de produzir o género em português.

E o Diogo e o seu irmão também escreveram “Irregular”, filme que neste momento está previsto para estrear a 30 de setembro, não é?
Sim, à partida é para não mexer mais. O filme está pronto há mais de um ano. Ele ia sair justamente quando a pandemia se deu e já estávamos a tratar de tudo, das antestreias e tudo mais. De facto foi um balde de água fria tremendo. Obviamente houve cinema português a acontecer durante [a pandemia], mas é cinema subsidiado, não é independente, que é o que nós estamos a fazer. Nós dependemos claramente de as pessoas irem ao cinema para continuarmos a fazer aquilo que estamos a fazer. Por isso, suspendemos a estreia do filme, teve várias datas mas nenhuma delas era a altura certa e segura para voltar. Agora, acho que todos nós estamos a sentir que as coisas se estão a começar a compor, que estão a ganhar uma nova estrutura, embora diferente. Mas estamos a começar a voltar, depois da borrada que fizemos no final do ano. Por isso acho que em setembro finalmente vamos ter o “Irregular” nas salas de cinema. Oxalá corra bem.

Tendo em conta a história, também tem um lado forte de thriller.É, é claramente um thriller policial ou psicológico. Foi o filme em que eu e o meu irmão mais tempo dedicámos ao argumento. Nós queríamos algo em que o espectador, quando achasse que estava a perceber o que estava a acontecer, havia um dado novo que entrava e que de repente questionavas aquilo que tinhas acabado de ver. Nós queríamos fazer uma espécie de puzzle interativo em forma de história. E até expormos o argumento, quando começámos a convidar o elenco, estávamos naquela de será que isto… E começámos a ver as pessoas super entusiasmadas a entrar no projeto precisamente por isso. Porque achavam que a história estava diferente, com muita inspiração em realizadores de excelência para nós. Sei lá, o Robert Zemeckis, o Christopher Nolan. Se fores ver um filme como o “Interstellar”, está muito dividido entre aquilo que se passa na mente do protagonista e aquilo que de facto está a acontecer à volta dele. E nós gostamos muito desse género e queríamos experimentar esta história. E felizmente conseguimos. Não só tem um argumento interessante como isso se traduziu num bom filme, o que nem sempre acontece. Mas aconteceu e a própria distribuidora disse: “aguentem mais um bocadinho porque isto merece ser visto nas salas”. Tem um elenco do caraças: Pedro Teixeira, Carla Chambel, Maria Botelho Moniz, João de Carvalho, entre outros. A ver se corre bem.

Como estava a dizer, não há uma grande tradição de cinema de terror e de thrillers em Portugal. Isso acontece porquê, na sua visão? Não há uma apetência tão grande do público? São géneros mais desafiantes?
Acho que não. Há cerca de 40 anos que o cinema português é essencialmente subsídio dependente. E o que é a atribuição de um subsídio? A atribuição de um subsídio não é mais do que um grupo de pessoas que lê as coisas e diz “isto sim” e lê outras coisas e diz “isto não”. Portanto, quando há um grupo de pessoas a ditar o que é que o público português deve ou não ver, torna-se uma coisa muito complicada e viciosa. Portanto, só alguém maluco como eu a tentar dar coisas diferentes porque gosto de ver coisas diferentes — e sei que há muita gente como eu, com vontade de ver coisas diferentes em português —, estou a tentar forçar uma barra criativa acima de uma barra económica, com muita dificuldade, com muito esforço. E até agora tem feito sentido porque os números têm-se revelado. As pessoas têm ido ver as nossas coisas e, se não se revelassem, era sinal que as pessoas não queriam e não estavam interessadas, mas as subscrições da Netflix continuam a acontecer, as plataformas de streaming são de género: metes “drama”, aparecem X; metes “comédia”, aparecem-te Y. E não faz sentido que o cinema português só tenha uma cor. Há de ter várias, há espaço para tudo. E de facto está um bocado monocórdico. Por isso o nosso foco está aí, em tentar criar uma paleta mais abrangente para as pessoas e que elas digam “bolas, também se faz isto em Portugal”. É essa a conversa que temos tentado ter com o público e vamos continuar até poder.

Diogo Morgado antecipa que vai ter novidades em setembro.


 

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